O retrato da informática nas escolas públicas

A Fundação Victor Civita divulgou neste mês os resultados da pesquisa O uso dos computadores e da internet nas escolas públicas de capitais brasileiras
 
. Segundo o estudo, a formação de professores para usar a tecnologia focada na aprendizagem de conteúdos e no desenvolvimento de competências dos alunos, a integração da tecnologia nos projetos político-pedagógicos das escolas e a infraestrutura devem ser os principais focos de atenção na proposição de políticas públicas voltadas ao uso de tecnologia na Educação.

Escola não sabe usar tecnologia em sala de aula


Mariana Mandelli

Apenas 4% das Escolas públicas brasileiras têm computador dentro da sala de aula e 89% dos professores dessas instituições não se sentem preparados para usá-los na Educação. O cenário, que mostra que o computador ainda está mais ligado a atividades administrativas de diretores e coordenadores do que com a aprendizagem dos alunos, foi traçado por pesquisa da Fundação Victor Civita em parceria com o Ibope e o Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

O estudo apontou que o número de professores que usa a tecnologia com seus alunos é ainda pequeno - e, quando isso acontece, acaba sendo com maior frequência no laboratório de informática. Neles, foi encontrada a maior concentração de computadores dentro das Escolas - 74% têm essa estrutura.

Segundo os dados, cerca de 57% dos colégios têm até 20 computadores. Apesar de a maioria contar com os equipamentos de informática, 62% das Escolas acreditam que seus computadores são insuficientes para o uso dos professores.

"Apesar dos recursos não serem suficientes, eles existem, mas falta o preparo do professor para adequar essas linguagens aos conteúdos Escolares", afirma a diretora executiva da Fundação Victor Civita, Angela Dannemann.

O levantamento foi feito em 400 Escolas estaduais e municipais de ensino fundamental e médio, localizadas em 13 capitais brasileiras, como São Paulo, Rio, Manaus, Curitiba e Salvador. O objetivo foi mapear o uso do computador e da internet e investigar as modalidades de uso da tecnologia na Educação.

APRENDIZADO
professores que já desenvolvem projetos pedagógicos com computador afirmam que o rendimento dos alunos é muito maior. É o que a professora de Música Áudrea Martins, de 35 anos, observou nos seus 54 alunos.

Ela usou a internet para ouvir música contemporânea com os estudantes e, com a ajuda de um programa de informática, eles criaram suas próprias composições. "A tecnologia só leva ao aprendizado com a presença de um professor", acredita Áurea, que leciona em uma Escola pública em São Leopoldo (RS).

Pesquisadores também acreditam no benefício pedagógico da união entre Educação e tecnologia. "A Escola deve promover a alfabetização digital dos alunos para eles compreenderem o mundo globalizado", opina Mila Gonçalves, do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). 


Estadão
05/12/2009

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